segunda-feira, 15 de abril de 2013

O problema em descartar arte "não-cristã"


Tradução do artigo em Christ And Pop Culture por Nick Rynerson


“Está na mente de Cristo que os Cristãos possuindo residência do Espírito Santo podem buscar as riquezas da arte, mesmo arte que não se alinha com a nossa teologia.”
Por causa da habitação do Espírito Santo, Cristãos tem uma grande, e muitas vezes neglicenciada habilidade para apreciar as maravilhosas estéticas encontradas nesse mundo. Parece haver uma imperativa divina para encontrar beleza nas coisas criadas, e como todos os anseios humanos, essa inclinação artística encontra satisfação através da vida de Cristo. O mundo, marcado pela destruição onipresente do pecado, está ansiando por ser refeito. Esta é a raiz dos anseios por beleza, verdade, prazer e alegria que artistas tentam capturar nos seus trabalhos, e Cristo trouxe esta restauração, "fazendo paz pelo sangue de Sua cruz". Esta dinâmica dá ao Cristianismo uma única visão de arte e cultura como instrumentos que são preenchidos em Cristo.
Entretanto, medo e ignorância de arte e cultura muitas vezes nos priva de apreciar a beleza de Deus que pode ser encontrada fora da nossa subcultura. Há algo distintamente Cristão na apreciação de arte "não-Cristã". Seja um filme da Rússia soviética ateísta, um romance influenciado pelo Iluminismo, uma música escrita por não-Cristãos, Deus é revelado através da criação do homem por que a criação do homem por Deus é evidente na arte.
Arte e evangelicalismo tem tido relações tensas através dos anos. Em Dynamics of Spiritual Life, o teólogo Richard Lovelace descreve os problemas com a paisagem estética do Protestantismo Evangélico como uma reação exagerada a estética Católica:
Eu descobri que o Evangelicalismo tem suas raízes em tradições Puritanas e Pietistas, que fundiram o pietismo ascético dos primeiros pais da Igreja com a doutrina Protestante, que também reagiu fortemente contra a expressão voluptuosa da fé Cristã na liturgia simbólica, arte gráfica, música e arquitetura. Como resultado dessas forças, a corrente evangélica se afastou da vida sacramental na tradição Católica, na qual o mundo criado era não somente celebrado como com, mas reconhecido como uma constante mensagem simbólica sobre a realidade espiritual. O evangélico se moveu em uma direção maniqueísta, em direção a uma estrutura mental em que objetos de sentidos e anseios poderiam nos arrastar para longe do que seria "espiritual".
Essa tensão, trazida pela época do crescimento do pré-milenianismo do século 19 e fundamentalismo do começo do século 20, criou uma barreira entre a cultura cristã e a cultura "secular". Por causa dessa separação, Evangélicos formaram uma subcultura onde estética e beleza são valorizados muito menos do que evangelismo, conformidade e teologia.
Arte e Evangelicalismo hoje
Desde o Segundo Grande Avivamento, o cristianismo americano mudou do discipulado teológico em direção a cativação emocional, a qual o estudioso Stephen Prothero chama "anti-intelectualismo espiritual". Com isso o papel da estética da arte na vida da Igreja mudou para um papel instrucional. Para muitos evangélicos, a arte agora se tornou uma, senão a única, ferramenta primária para ensinar e discipular. Para a arte, e em particular música, ganhar popularidade entre os evangélicos de hoje, precisa ter uma mensagem aberta e ser adaptável ao culto de adoração. Pela arte ser onde muitos cristãos vão para procurar instruções religiosas, é assumido que a arte sem uma explícita e segura manifestação do pensamento cristão vai levar as pessoas se desviarem. Isso deixa uma variedade de ótimas músicas fora da conversação cristã.
Eu recentemente li sobre a banda Citizens sentando com seus pastores para trabalhar suas músicas e estarem certos de que estão teologicamente corretas. No post do blog, Zach Bolen diz que "Made Alive" era uma música sobre a lei do Antigo Testamento, mas quando seus pastores deram uma olhada, a injetaram com o evangelho. O resultado foi uma música feita por músicos espantosamente talentosos, mas que soa muito como as seguras e flácidas músicas cristãs dos anos 90.
Eu quero gostar de "Made Alive", eu quero. É cativante, e eu concordo teologicamente com tudo que a banda Citizens cantou, mas parece forçada sentimentalmente, especialmente depois das "melhorias" da equipe pastoral. Apesar de que posso entender seu desejo de servir a Deus com sua arte, parece que eles comprometeram sua visão pela conformidade. Eu vejo um sentimento muito mais verdadeiro na música não-ortodoxa de Jim White, que descreve sua geralmente estranha e sempre honesta música como "só procurando um dente de ouro no sorriso torto de Deus". A música no começo do clipe dá mais a alguém para considerar do que "Made Alive".
Na mesma linha de Citizens, eu muitas vezes me pergunto sobre a genuinidade de bandas como Hillsong United, uma das mais populares bandas entre os jovens(16-35) evangélicos. Apesar de que posso apreciar a musicalidade, suas músicas são todas otimistas, animadas, e facilmente adaptáveis ao culto de louvor. Me pergunto se é por que os membros da Hillsong realmente sentem essa alegria continuamente, ou por causa da pressão social e da indústria de se encaixar em certos moldes. Qualquer que seja o caso, essa arte faz um desserviço para o Cristianismo por representar cristãos com falta de vivacidade emocional e honestidade.
Cristãos tem a habilidade, em Cristo, de contemplar a rica beleza teológica de maneiras muito mais sutis. Grandes músicas feitas por não-cristãos podem nos dar um banquete de imagens bíblicas e desejos humanos. Considere Wilco, uma banda tão longe da subcultura cristã como uma banda pode eventualmente chegar. Uma das suas mais brilhantes faixas é “At Least That’s What You Said.” O solo de guitarra é um banquete musical de absolutamente cortar o coração - já me deixou em lágrimas mais de uma vez - que foi escrito pelo vocalista Jeff Tweedy como uma manifestação auditiva dos seu ataques de pânico. Para qualquer um que já lutou com ansiedade, é algo a se ouvir.
Para que cristãos possam apreciar a arte, é importante que eles saibam quem Cristo realmente é. Para um discípulo de Cristo, encontrar segurança suficiente na sua identidade para discernir a presença de Deus na arte e cultura "não-cristã", é um sinal de vida espiritual e vitalidade. Além disso, é um bom exercício na busca pela verdade. A arte pode afiar, confrontar e confortar a alma, mas não a menos que o final conforto de Cristo já esteja lá. Ter uma teologia robusta nos vai permitir ver a glória de Deus na "arte não-ortodoxa".
Não tenha medo da arte "não cristã"
A morte e ressurreição de Cristo não marcaram a separação do Cristianismo de todas as coisas não-cristãs, mas a restauração de todas as coisas. Cristo é o perfeito agente restaurador e nós somos Seus embaixadores. Crer em Cristo é crer que "foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus." (Colossenses 1:19-20).
Isso inclui arte, e mesmo a mais ofensiva, não-cristã expressão da arte pode se qualificar. Há redenção a contemplar em toda a criação de Deus, e de acordo com o historiador de arte e evangélico Dan Siedell:
Isso nos livra do fardo cultural que geralmente carregamos para amar nosso próximo apreciando sua arte, poesias, músicas e filmes. Somos livres para nos fazermos vulneráveis a isso, permitindo isso a nos tocar como arte(não como mensagem moral ou ameaças a nossa moralidade). E somos livres para mobilizar nossa fé em um amável serviço para aquela obra de arte, aquela pintura, aquele filme, aquele romance ou aquele poema, a fim de aprofundar nosso entendimento disso e desdobrar sua profundidade a outros, mesmo (e especialmente), aqueles que não partilham da nossa fé.
O Salmo 24:1 declara que "Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam." e portanto nada está "fora dos limites" - especialmente para aqueles que foram completamente reconciliados com seu Criador e Seus propósitos. Siedell continua:
O cristão é audiência ideal para toda arte, para todos os artefatos estéticos da imaginação - mesmo(ou especialmente  os mais escandalosos ou ofensivos. Geralmente são as mais escandalosas e ofensivas obras que revelam a dor, sofrimento e desespero da condição humana nas maneiras mais convincentes. E é o cristão que pode receber todas as coisas - incluindo poemas e pinturas - como presentes.
Eu tenho aprofundado meu interesse em ficção esse ano, e descobri que minha alma foi fortalecida e iluminada por muitas grandes obras de arte que não são teologicamente herméticas. Em Janeiro, eu li Os Irmãos Karamazov, e a beleza estética das vidas de Zossima e Alyosha me cativaram; eu ainda penso nisso diariamente. Os personagens não eram evangélicos e eu provavelmente discordaria com suas visões sobre justificação, mas conhecer esses dois personagens lembrou-me da graça, salvação e o amor de Deus. Minha cosmovisão evangélica não vacilou  ao contrário, foi nutrida. Eu acho desanimador que tantos irmãos e irmãs evangélicos podem perder tais experiências por ter uma percepção de que a arte é teologicamente perigosa.
A arte é um misterioso, divino derramamento de beleza da alma do homem. Fazer arte é buscar nas profundezas da alma pela verdade, e contemplar arte é fazer quase a mesma coisa. Arte não precisa ser um método de doutrinação. Além disso, quando escavamos pela verdade onde ela não é óbvia, as recompensas são muito mais doces. Nas palavras de Johann Wolfgang von Goethe, arte "será compreensível a uma mente que está harmoniosamente formada e desenvolvida, uma que, de acordo com suas capacidades, procura o que é perfeito e completa em si mesma"("Sobre Verdade e Probabilidade nas Obras de Arte", 1798). E está na mente de Cristo que os Cristãos possuindo residência do Espírito Santo podem buscar as riquezas da arte, mesmo arte que não se alinha com a nossa teologia.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Legado


http://wenatcheethehatchet.blogspot.com.br/2013/01/2012-in-retrospect-curiosity-and-mars.html
Ótimo(e longo) texto resumindo as controvérsias e escândalos na Mars Hill em 2012. Abaixo a tradução dos 2 últimos parágrafos, com alguns insights muito importantes:
Veja, isso é o que me incomoda nos blogs a favor e contra, é que não permitem ambivalência nenhuma. A vida é mais comprometida e ambivalente do que como gostamos de nos imaginar na mídia social... não é? É surpreendentemente fácil, para os assim descritos exilados, falar como se não tivessem sido coniventes com o que eles agora condenam, e é surpreendentemente fácil para os de dentro imaginar que, por mais arriscado que isso ou aquilo seja, o legado vale a pena o suficiente para sacrificar uns poucos participantes que não valem tanto assim. Este blog tem sido um exercício no questionamento de ambos os tipos de pensamento. O que os ex participantes podem não admitir facilmente é que investimos em um legado que não estamos mais certos de que valeu a pena. O que os ex participantes podem não querer, ou não ter a capacidade de compreender, é que todos nós podemos ser vítimas desse tipo de tentação para um legado brilhante e reluzente o suficiente que nos inspire a seguir junto com alguma coisa.
Afinal, apesar de todos os clichês piedosos sobre movimentos e legados, isso e aquilo, qual foi a inspiração para construir uma torre na planície do Sinar? Legado. Legado pode se apresentar como o mais piedoso dos impulsos de um cristão, mas após uma análise mais cuidadosa, pode ser o impulso não para criar uma nova Jerusalém, mas outra Babilônia. Somos tolos se nos convencermos que não podemos ser vítimas dessa tentação, mesmo que condenemos aqueles que pensamos estar construindo essa torre do legado. Alguns de nós cozinhamos mais tijolos e fizemos mais morteiros para essa torre, qualquer que ela seja, do que estamos confortáveis em admitir. 
Em meus 20 anos eu pensava que falar em legado era ótimo, mas mais tarde nos meus 30, me convenci que um legado pode ser a mais perigosa das tentações que qualquer grupo de cristãos pode ter. É pelo bem de legados que pilhas de corpos mortos estão amontoados no local de sacrifício.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Orador dos Mortos

Trecho do livro O Orador dos Mortos, capítulo 16 - A Cerca:
    Um grande rabino está ensinando na praça do mercado. Aconteceu, naquela manhã, que um marido descobriu prova do adultério de sua mulher, e o populacho carrega-a para a praça, para apedrejá-la até a morte. (Há uma versão mais familiar desta história, mas um amigo meu, Orador dos Mortos, contou-me sobre dois outros rabinos que enfrentaram a mesma situação. São estas as que vou lhe contar)
O rabino avança e põe-se ao lado da mulher. Por respeito a ele, o povo espera, ainda sopesando as pedras. "Será que há alguém entre vocês", diz a eles, "que nunca desejou a esposa de outro homem, o marido de outra mulher?"
    Eles murmuram, e respondem: "Todos conhecemos o desejo. Mas, Rabbi, nenhum de nós o seguiu"
E o rabino disse: "Então ajoelhem-se, e dêem graças a Deus, por tê-los feito fortes". Leva a mulher pela mão, para fora do mercado, e antes de despedi-la, diz-lhe em voz baixa: "Vá dizer ao magistrado quem salvou sua amante. Então ele saberá que sou seu servo leal" •
Assim, a mulher foi salva, porque a comunidade é corrupta demais para proteger a si mesma da desordem.

    Um outro rabino, outra cidade. Vai até ela, e detém a multidão, como na outra história, e diz: "Qual de vocês é sem pecado? Que atire a primeira pedra"
As pessoas ficam chocadas e esquecem o propósito único que tinham, na memória de seus pecados individuais. Algum dia, pensaram, eu poderei estar na situação desta mulher, e gostaria de ser perdoado e ter uma nova chance. Devo tratá-la do jeito que gostaria de ser tratado.
Enquanto vão abrindo as mãos, deixando as pedras cair, o rabino pega uma, levanta-a sobre a cabeça da mulher, e ataca com toda a força. Esmaga o crânio dela, espalhando os miolos pelo calçamento de pedra.
"Tampouco eu sou sem pecado", ele diz ao povo, "mas se deixarmos apenas gente perfeita aplicar a lei, logo a lei estará morta, e nossa cidade, com ela".
Portanto, a mulher morreu porque a comunidade era rígida demais para tolerar seu erro.

    A versão famosa dessa história merece nota por ser tão rara em nossa experiência. A maioria das comunidades cambaleia entre a podridão e o rigor mortis, e quando vão muito para um dos extremos, morrem. Só um rabino atreveu-se a esperar de nós um equilíbrio tão perfeito a ponto de preservarmos a lei e perdoarmos o erro. Então, é claro, nós o matamos.
— Santo Ângelo, Cartas a um Herege Incipiente

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Insegurança Produz Orgulho


Tradução do artigo em Liberate por Tullian Tchividjian

        Se você tem a reputação de ser de alguma forma crítico, "durão" e defensivo - isso pode revelar mais do que você imagina. Acredite ou não, há uma direta e explícita conexão entre e falta de confiança no amor incondicional de Deus por você e sua tendência de ser crítico, assertivo e defensivo. Quando você funciona como se o amor de Deus e Sua aceitação de você depende das suas realizações espirituais, da sua obediência, da sua performance, você desenvolve uma "afirmação defensiva de sua própria justiça e uma crítica defensiva dos outros".
Um grande obrigado a Tom Wood por destacar essas palavras esclarecedoras de Richard Lovelace:
Independente das suas últimas realizações espirituais, cristãos que não estão mais certos que Deus os ama e os aceita em Jesus são pessoas subconscientemente inseguras - muito menos seguras que não-cristãos - por estarem demais em foco para conseguir descansar, debaixo de contantes "boletins" do seu meio cristão, sobre toda a santidade de Deus e a retidão que supostamente eles deveriam ter.
Sua insegurança acaba se desenvolvendo como orgulho, uma ferrenha afirmação defensiva da sua retidão e um criticismo defensivo dos outros. Eles naturalmente vem a odiar outros estilos culturais e outras raças com o propósito de alimentar sua própria segurança e descarregar sua raiva reprimida. Se agarram desesperadamente no legalismo, na retidão farisaica. Mas inveja, ciúme, e outros ramos da árvore do pecado também crescem da sua insegurança inicial.

É necessário frequentemente convencer pecadores da graça e amor de Deus para com eles, antes que façamos eles olharem para seus próprios problemas. Então a visão da graça e o senso da aceitação perdoadora de Deus pode realmente curar a maioria dos problemas.

 Isso pode explicar a frequente fusão de justificação e santificação usada por Paulo. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Repensando a Santificação Por Que Preciso

Tradução do artigo em Parchment & Pen Blog por C Michael Patton


Quinze anos atrás, eu tinha entendido tudo. Minha teologia era perfeita. Minhas paixões eram inflamadas pela crescente convicção de que eu ia fazer a diferença - uma grande diferença. Se alguém tinha algum problema, eu podia consertar... ou pelo menos direcioná-los para o caminho certo do conserto. Eu tinha todas as respostas. Eu era santificado e estava sendo santificado... rápido (tipo, rápido-Ferrari).
Pulando quinze anos pra frente...

As coisas são bem diferentes agora. Eu não entendo tanta coisa assim. Paixões estão seguras, mas foram suavizadas pelas cicatrizes na minha alma. Coisas em que eu era tão confiante antes agora fazem meu espírito corar com frustração, salgado com um pouco de vergonha e amargura. Concertar coisas não é mais fácil como parecia antes. Complicações surgiram. Pessoas são complicadas. Eu sou complicado. 

Não muito tempo atrás, enquanto discutia crescimento espiritual com uma garota cristã desencorajada, eu comecei a ver nela minha própria condição. Ela não conseguia entender por que ela não era uma "boa" pessoa. "Eu sou cristã por trinta anos, e me sinto menos santificada agora do que nunca. Eu não entendo. Talvez eu nem seja salva."
Enquanto refletia nisso durante o dia, eu cheguei a conclusão de que éramos iguais. Espere... vou tentar explicar minha definição anterior de santificação:

Santificação. O estado de experimentar crescimento que é medido por se tornar mais parecido com Cristo. 
Interpretação: Você está ficando melhor e melhor. Você não é mais mal como era antes. Você não reclama tanto. Você tem uma perspectiva melhor da vida. Você nunca está deprimido. Você lida com os problemas de uma maneira mais madura; sabe, do jeito que Cristo lidava com eles. Ahh, e você também entende mais coisas do que entendia antes. 

Quinze anos depois que me fiz a inscrição na definição acima, eu reflito na minha própria condição e me encontro cheio de frustração. Claro, eu não sou controlado por muitos dos pecados que me controlavam antes, mas tenho que entrar em greve em todos os sinais de santificação listados acima. Novos pecados apareceram. Falhas de personalidade. Mau-humor. Reclamações. A inabilidade de reagir a situações com uma calma confiança. Rapidamente irritável. E quer saber? Tem algumas pessoas que eu não gosto, e não consigo ser legal com elas. Sheesh, a só vinte anos atrás fui votado o cara mais legal no colégio  John Marshall. Não acredita em mim? Dê uma olhada no anuário. Finalmente(e você não vai acreditar nisso), estou achando cada vez mais e mais difícil não ter desculpas para não ir ao cultos no Domingo de manhã, a não ser que eu esteja ensinando ou pregando - aí eu me animo todo! 
Por que eu não estou ficando "melhor"? Eu não sei. Eu poderia culpar tantas coisas, mas culpa só seria outro sinal do meu estado lamentável. (Pessoas não santificadas não culpam um monte? Adão?).

Entretanto, isso me fez repensar a mim mesmo, e minha visão da santificação. O que significa ser feito "santo"? 
Novos estágios da vida te apresentaram novas maneiras de mostrar sua natureza caída. Crianças. Quatro crianças. Quatro crianças pelos treze anos. Casamento. Morte. Tristeza. Tempo permite mais decepções nos outros e em você mesmo. Você simplesmente precisa lidar com mais bagagem do que antes. Ah, e aí tem aquelas vezes em que você tem depressão. 
Peraí! Cristãos não deveriam ter depressão. Especialmente esses que ensinam teologia. Ah Deus, de que presta tudo que eu faço e sou agora, quinze anos depois, passando por depressão? Antes eu conseguia endireitar pessoas deprimidas com uma balançada da minha varinha mágica de interpretação bíblica adequada! Acho que não funcionava tão bem quanto eu pensava.

Quinze anos depois, ou eu não estou sendo santificado(o que é possível) ou eu preciso repensar a santificação. Minhas esperanças e idéias são:

Santificação. O processo do desenvolvimento cristão que tem mais a ver com quão dependente você se tornou do Senhor, não necessariamente com simplesmente se tornar "bom". Santificação tem mais a ver com a frequência em que você está quebrado diante Dele, do que com sua inabalável habilidade de lidar com a dor. Santificação tem mais a ver com reconhecer suas fraquezas do que seus pontos fortes. Santificação tem mais a ver com arrependimento do que com coisas que não precisam de arrependimento. No final, santificação quantifica os movimentos progressivos que você faz em direção a Deus, por que você não tem mais para onde ir.

Mas aí existem os frutos do Espírito. É, aqueles. A alegria não cancela a depressão? Paz não derrota a irritabilidade? A fé não tem alguma coisa a ver com não estar apavorado de que algo ruim possa acontecer com meus filhos? 
Nada da setinha vermelha perfeita nesse artigo.
Estou tentando repensar a santificação por que eu preciso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

R.C. Sproul, Criacionismo, Seis dias, e um Modelo de Humildade


Tradução do artigo em Christ And Pop Culture por Alan Noble


Dentro do evangelicalismo, um dos mais ferozes e mais regular debate é sobre como interpretamos os primeiros capítulos de Gênesis, particularmente à luz da ciência moderna. Empregos foram perdidos. Carreiras foram construídas. Escolas foram lançadas em tumulto. Denominações foram divididas.
Através dos anos, passei a acreditar que, muito mais perigosa que a crença na Evolução e Terra Antiga, é o ensinamento de que essas idéias são responsáveis por todos os grandes problemas na nossa sociedade, e que nenhum cristão pode aceitá-las sem danificar dramaticamente sua fé e seu testemunho. Para alguns crentes conservadores(a maioria reformados), uma crença na Terra Jovem e criação de 6 dias é tão importante como os credos históricos. Ortodoxia é redefinida em um contexto moderno.
Claro, alguns cristãos no outro lado - Evolucionistas Teístas, Terra Antiga, Evolucionismo Guiado, etc - não são menos arrogantes e divisivos. Demonstram condescendência, desprezo, e indiferença para com os irmãos e irmã que tem preocupações legítimas sobre como a evolução poderia alterar nosso entendimento do pecado, da Queda, morte, sofrimento, e a interpretação das Escrituras.
À luz dessa desunião e desse discurso público cruel, minha preocupação tem sido mais sobre como cristãos articulam e defendem o que creem sobre Gênesis, e menos sobre qual o conteúdo da opinião. Então, foi com grande alegria que eu li as seguinte palavras de R.C. Sproul numa entrevista por Tim Challies:
Você alguma vez já repensou sua posição em favor da criação em sei dias e terra jovem, especialmente a vista de todo novo material sobre o assunto que tem sido publicados desde 2006?
Bom, essa é uma questão complicada, por que quando tomei a posição, foi sobre a criação em seis dias. Eu não me posicionei sobre a terra jovem. Eu não sei quão velha a Terra é. Eu não sabia lá. Eu ainda não sei.
E o que nós queremos dizer com "Terra Jovem"? Se você está pensando seis mil anos, eu duvido disso. Se você está pensando doze bilhões de anos, eu duvido disso também. Tudo que eu queria dizer era sobre o entendimento que as Escrituras ensinam sobre os seis dias da criação. E eu nem mesmo acho correto dizer que tomei uma posição. Eu falei qual era meu ponto de vista.
Quando você diz que tem um ponto de vista, é uma coisa dizer, "eu acho que é assim". É outra coisa, tomar uma posição onde você diz: "Aqui me posiciono. Eu vou morrer nessa montanha." Eu posso estar errado no meu entendimento do Gênesis. É difícil lidar com o gênero literário nos primeiros versículos nos capítulos iniciais de Gênesis. Eu acho que deve haver uma flexibilidade ali.
Eu poderia beijar o Doutor Sproul por isso. Que tremendo modelo de humildade intelectual e espiritual poder publicamente dizer: "Eu posso estar errado no meu entendimento de Gênesis."  Quanta coragem, considerando o ambiente tóxico em que esse debate se faz atualmente, e considerando os leitores de Challies - predominantemente cristãos muito conservadores, reformados.
Que todos nós possamos imitar o Doutor Sproul aqui, dando a correta prioridade ao que é importante a nossa fé, e aceitando nossa limitada capacidade intelectual e espiritual. Eu espero que esse seja um sinal de uma mudança geral em favor do amor e da graça sobre essas questões, ao invés da tendência de apostas cada vez maiores em interpretações específicas dos primeiros capítulos de Gênesis.