quarta-feira, 1 de junho de 2016

Como Cristãos Intelectuais Podem Se Encaixar Na Igreja Evangélica

Tradução do artigo em Reasons to Believe por Kenneth Samples

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“É glorioso ao homem ser o único animal intelectual na Terra. Isso impõe sobre os seres humanos a obrigação moral de conduzir vidas intelectuais.”1
—Mortimer J. Adler
O primeiro artigo que escrevi sobre intelectuais na igreja recebeu tanta atenção nas mídias sociais que eu decidi escrever um segundo. Todos os comentários positivos e a enxurrada de curtidas e compartilhamentos me fez perceber que atingi um nervo. Estou convencido que é comum para cristãos orientados à intelectualidade experimentar dificuldades em se encaixar com sua igreja local.
Dois fatores comuns criam o problema.
Primeiro, a importância da vida intelectual geralmente recebe pouca atenção em muitas igrejas evangélicas. A igreja geralmente serve como um hospital, um pronto-socorro, um centro de aconselhamento, uma sala de concertos, um estádio de esportes—todos importantes, claro—mas a igreja também necessita ser uma escola; isto é, um lugar de aprendizado onde cristãos estudam os dois livros da revelação de Deus: o livro da natureza(Criação de Deus) e o livro das escrituras(Palavra de Deus).2
Ao falhar em valorizar e cultivar a intelectualidade(que reflete a imagem de Deus) nossas igrejas são muito como a nossa cultura. De fato, muitas pessoas, ambas cristãs ou não, vêem o aprendizado como um mero bem instrumental (algo considerado útil como um meio para algum outro benefício; por exemplo, um diploma universitário pode levar a um trabalho). Mas raramente a aquisição de conhecimento é vista como um bem intrínseco (algo de valor por si mesmo; por exemplo, se tornar uma pessoa bem informada e sábia).
Quando uma igreja já não funciona como uma escola, tipos cerebrais, para quem alimentar a vida intelectual é uma paixão diária, inevitavelmente se sentem fora do lugar. Eles podem pensar que tem pouco em comum com seus amigos da igreja.
Segundo, alguns dentre a tradição teológica evangélica tem lutado com a idéia de que uma intensa busca da vida intelectual está de alguma maneira em desacordo com a espiritualidade cristã. Algumas vezes é dito que intelectuais lutam com orgulho, um pecado mortal. Também é dito que intelectuais tem meramente um conhecimento na cabeça, enquanto cristãos espirituais tem fé no coração. Mas enquanto é verdade que os inclinados intelectualmente podem de fato lutar com orgulho cerebral, também é verdade que aqueles inclinados afetivamente podem sofrer com orgulho espiritual. Cristão precisam perceber que não há nada não-espiritual ou não-bíblico em ser um pensador racional e cuidadoso.3
Encorajando Nossos Irmãos e Irmãs Racionais
No meu primeiro artigo, Eu ofereci três sugestões para ajudar igrejas evangélicas a incluir intelectuais nas suas igrejas. Então aqui eu vou oferecer três sugestões para encorajar meus companheiros racionais que as vezes se sentem deslocados. Eu tenho, as vezes, lutado com o sentimento de que eu não me encaixava em minha igreja pelo meu insaciável apetite por aprendizado e reflexão, mas adotando essas três me idéias ajudou significativamente a encontrar um senso de pertencimento.
1. Ler os Escritos de Alguns dos Mais Importantes Pensadores Cristãos
Algumas vezes eu me senti sozinho por perceber que outros cristãos não eram interessados em coisas que eu acho fascinantes. Nessas horas, eu estendi a mão para alguns dos maiores pensadores cristãos do passado para consolo, encorajamento e inspiração. Por exemplo, quando eu leio Augustino, Pascal e C.S. Lewis, eu ganho um senso de que eu os conheço e que sou parte de sua grande conversação sobre idéias como a verdade, bondade e beleza. Estes três autores cristãos escrevem de tal forma que muitas vezes parece que de alguma maneira me conheciam e estavam escrevendo para mim. Como um introvertido eu acho muito mais fácil pegar um livro do que me apresentar para alguém que não conheço. Ler esses escritos de alguns dos pensadores cristãos mais refletivos me concede um senso especial de comunidade que atravessa os séculos.
2. Encontre Intelectuais de Mentalidade Semelhante Dentro da Igreja e Crie uma Comunidade
Se você se sente um solitário cerebral na igreja, fale com os líderes da igreja a respeito de apresentá-lo à pessoas que podem compartilhar sua paixão pela intelectualidade. Mesmo que sejam poucos, pelo menos você terá alguém com quem discutir idéias. Vocês podes encorajar uns aos outros a buscar a intelectualidade para a glória de Deus. Construir esta comunhão intelectual irá enviar uma mensagem a outros membros da igreja, e mesmo aos lideres da igreja, que a intelectualidade é criticamente importante para os cristãos.
3. Não Desista da Igreja Evangélica
Ser um cristão orientado a idéias, estudo, e do tipo cerebral pode ter seus desafios. Algumas vezes pessoas se sentem desconfortáveis perto de tipos pensadores, ou não sabem o que dizer para essas mentes "intimidantes". Eu quero encorajar fortemente os pensadores a não desistir de fazer parte de uma igreja e serem pacientes com outros cristãos. Igrejas evangélicas precisam dos seus membros inclinados a intelectualidade e nós precisamos da igreja também. Aqui está o que o autor de Hebreus disse aos cristãos no primeiro século:
E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras.
Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.
—Hebreus 10:24–25
Parte de ser feito à imagem de Deus significa que seres humanos são capazes de ser caçadores e coletores da verdade. Esta tarefa deveria ser sagrada entre cristãos. Eu quero encorajar meus amigos racionais cristãos a continuar cuidando da verdade, do conhecimento e da sabedoria valorizando e usando a intelectualidade para a glória de Deus.
Reflexões: Sua Vez
Se você tem uma mentalidade intelectual, como você se conecta com outros membros da igreja?
Notas
  1. Mortimer J. Adler, Intellect: Mind over Matter (Nova York: Macmillan, 1990), 185.
  2. Veja o Salmo 19:1–4, 7–10.
  3. Veja Mark A. Noll, The Scandal of the Evangelical Mind (Grand Rapids: Eerdmans, 1994).

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